domingo, 5 de outubro de 2008

Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire-uma síntese



Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire, é um livro pequeno no seu formato mas de uma relevância imensurável para o processo de ensino/aprendizagem. Logo de início, em “Primeiras Palavras”, Freire da ênfase à questão da ética dizendo com muita propriedade sobre os riscos que só os éticos correm, o de transgredir a ética (p.17). Nesta parte ele inicia uma série de severas críticas ao neoliberalismo cujo modelo sócio-econômico, segundo ele, é um entrave para a aplicação dos métodos da educação progressista.
Nos três capítulos do livro, Freire descreve uma série de características indispensáveis ao processo de ensino com ênfase no método progressista, algumas aplicáveis ao modelo conservador.
Freire ressalta, no primeiro capítulo, a interligação entre ensinar e aprender reprovando os métodos que priorizam o receptor-passivo, como o bancário ou decorativo. Ele sugere que o aluno, acima de tudo, deve ser visto como um agente do ensino e por isso deve aprender a aprender e a ensinar e o professor deve promover o engajamento de todos atuando como facilitador no processo de aprendizagem.
No segundo capítulo, Freire mostra que a consciência do ser inacabado alimenta a educação progressista e que por não sermos seres isolados, estaremos sempre interagindo com outras pessoas num processo contínuo de ensino/aprendizagem que representa a construção do conhecimento.
No terceiro e último capítulo, Freire evidência algumas características do educador progressista como a generosidade, comprometimento e o saber escutar e sugere que o educador tenha a consciência da educação como uma ideologia capaz de promover transformações. Segundo Freire, o educador deve ter a liberdade e autoridade (conquistada) para ser e formar críticos capazes de tomar suas próprias decisões sobre seus próprios destinos.

A lição do Piauí


Artigo publicado pela revista Veja, edição 1997 de 28 de fevereiro de 2007, nos coloca diante de um exemplo claro de que o problema de educação no Brasil reside principalmente na má gestão dos recursos destinados a ela, fato que fica evidenciado nos dados do Enem, divulgados no início de 2007, que aponta a escola particular Instituto Dom Barreto, de Teresina-PI, como a primeira colocada no ranking do MEC, com média de 74,17.
O resultado surpreende pelo fato do Piauí ser um estado pobre e com escolas públicas e privadas costumeiramente classificadas entre as piores nesse tipo de exame.
A receita para o sucesso do Instituto Dom Barreto está na destinação dos seus recursos como investimentos na qualificação do corpo docente com cursos específicos para o aperfeiçoamento da didática, inclusive com a participação dos próprios autores dos materiais didáticos utilizados pela escola. Outros investimentos praticados pela escola são em forma de patrocínios de cursos de especialização e até mestrado para o corpo docente e administração.
A escola, um modelo de gestão, se sustenta no tripé metas curriculares bem definidas, professores bem preparados para alcança-las e um sistema montado para cobrar resultados. Ela se destaca pelo pragmatismo.

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Sobre o artigo “Medir para avançar rápido"


Entrevista com o físico alemão Andréas Schleicher, publicada na edição da revista veja de 06 de agosto de 2008, sobre o relatório PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que sugere ao governo brasileiro a busca pela qualidade do ensino em todos os níveis através da cópia e adaptação de experiências vividas por outros países melhores classificados, como a Finlândia.
Os chineses são o exemplo de que copiar não é nenhum demérito e sim a prova de que uma prática de sucesso pode ser aplicada, com pequenos ajustes, em diferentes cenários respeitando as características culturais e sócio-econômicas de cada povo o que normalmente e rapidamente se reverte em vantagem competitiva.
Apesar do Brasil se situar entre os últimos do ranking dos 57 países avaliados, Andréas afirma que estamos no caminho certo pois conseguimos mapear os problemas de maneira objetiva e não mais com base na intuição das mentes “brilhantes” dos nossos políticos e governantes.

Leia mais sobre o PISA.